|
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
Resgate
de Valores e Família
Ao falar de educação, temos em mente não
apenas um processo que desencadeie a preparação
formal do indivíduo para sua posterior inserção
na sociedade.
Esta idéia de que "preparar para o futuro"
está relacionada com a oferta de muito conteúdo
intelectual, que deve ser absorvido ao longo de algumas
fases da vida do ser humano, precisa ser revista, e com
muita urgência.
O estado caótico que estamos presenciando em nossa
sociedade, e que não é privilégio
nacional, é o reflexo de uma forma educacional
que já caducou, e que deixou marcas muito tristes
no cenário.
Assistir ao desmoronar moral de uma sociedade, onde a
ética está encoberta por uma sombra de descalabros,
de total falta de senso de humanidade, faz com que repensemos,
criteriosamente, a raiz deste panorama.
Seja na escola, seja na família, a educação
necessita passar por uma análise profunda, para
que sejam levantadas as necessidades de uma transformação
na forma de atuar destas duas instituições
basilares da sociedade humana.
O que está faltando para que se possa vislumbrar
um quadro mais tranqüilo, mais respeitoso, mais digno
do próprio Homem?
Essa reflexão precisa ser feita em caráter
de urgência!
Não se trata, aqui, de discutir método de
alfabetização, método de ensino,
recursos pedagógicos, reforma universitária,
ou coisas afins. Falamos de verificar o que faltou no
processo de educação que se tem desenvolvido
nas últimas décadas.
Vamos começar nossa análise pela família.
Afinal, essa instituição é a primeira
e mais importante na formação do indivíduo.
O que está acontecendo na família?
Verificamos que, na sua maioria, a família "perdeu
o rumo", "perdeu suas referências".
Numa sociedade em que as aparências externas ganharam
mais importância, em que quanto mais se tenha dá
a idéia falsa de ser melhor, um grave problema
surgiu para a família: falta de tempo para os relacionamentos.
Falta do diálogo, daquele que permite saber como
o outro está, daquele que dá a sensação
de pertencimento ao conjunto.
Em família devem surgir os primeiros e mais significativos
exemplos. De há muito se sabe que é observando
que a criança aprende. E o que tem a criança,
o jovem observado?
Uma família sem vínculos, onde o afeto está
sendo substituído pelos objetos. O tempo, escasso
para o diálogo, é substituído pelo
lazer eletrônico. É fácil verificar
as conseqüências, quando analisamos um grupo
de jovens, por exemplo, em tenra idade, que "aparentemente"
está junto. Cada um tem seu celular que é
acionado, repetidamente, para falar com alguém
que não esteja presente. E, conversas paralelas
se estabelecem. O que isso quer dizer? Aquele olhar no
olho do outro não foi construído, há
medo de olhar no olho do outro, pois o hábito não
foi criado. A idéia de estar junto é apenas
a sensação de pertencer a um "pacote"
de pessoas, mas não a de estar com pessoas.
Quando casais estão juntos, num restaurante, por
exemplo, e verificamos que o celular vira diversão
individual (cada um fala com alguém distante, ou
joga alguma coisa sozinho), constatamos, uma vez mais,
que as estruturas de um relacionamento real e efetivo
não estão sendo estabelecidas.
Para criarem-se vínculos é preciso haver
investimento profundo. Paciência, dedicação,
doação, são valores indispensáveis.
Quando o hábito de conversar e olhar o outro em
seus olhos não existe, os laços se tornam
muito fracos e podem romper-se com muita facilidade, e
é o que vemos. Cada um leva a sua vida, cada um
é um indivíduo solitário dentro de
um "pacote" familiar. E as conseqüências
são extremamente danosas, fáceis de serem
diagnosticadas: egoísmo, individualismo, solidão,
depressão, agressividade, desrespeito pelo outro...
No mundo exterior, fora dos limites convencionais da família
o panorama é ainda pior. Há danos irreversíveis
tanto a nível individual quanto a nível social. A busca
por satisfação pessoal e individualista
gera sintomas perigosos: abuso do álcool, uso de
drogas lícitas ou ilícitas, sexo desvairado
como compensação (e até como forma
de agressão), espasmos de ódio e vingança,
e muito sofrimento!
Para compensar o sofrimento individual, o homem busca
o prazer da posse, do poder. Quanto mais tiver, quando
mais puder, menos sente as suas frustrações.
E quem sofre as conseqüências imediatas é
o outro. E se estabelece uma cadeia destrutiva.
Essa cadeia negativa está minando os inúmeros
setores da sociedade, o ambiente em que vivemos, de forma
genérica.
E muitas são as tentativas de uns poucos, ainda,
em encontrar saídas para os problemas que o próprio
homem criou. Campanhas existem de toda espécie, num ensaio
de resgate do que se perdeu: a competência de conviver.
E não falo apenas do conviver em relação
ao humano, mas, também, ao ambiente a sua volta.
O homem se destrói e destrói o que existe
em seu entorno.
Urge, portanto, um repensar, uma retomada de atitude que
faça com que cada um desperte para sua responsabilidade
pessoal em relação ao outro, ao mundo, ao
universo.
É uma abertura cósmica que precisa acontecer!
É a lembrança de que fazemos parte de uma
imensa e infinita rede, que a cada elo enfraquecido ou
rompido, o dano se verifica no todo, em seu enfraquecimento.
Valores são a solução para restabelecer
o equilíbrio. E valores devem começar a ser aprendidos,
vividos, inicialmente e sempre, em família.
Olhar e colocar-se no lugar do outro. Fazer ao outro o
que desejaria lhe fizessem, essa fórmula é
infalível; e já nos foi ensinada há
mais de dois milênios.
Da família para o mundo, do mundo para o universo,
eis a fórmula. E tudo deve começar bem próximo
a nós, na família, o primeiro universo vivido por
cada um. Se conseguirmos vivê-lo num clima de respeito,
de seriedade, de compromisso, de dedicação,
de abnegação, de renúncia, de estímulo,
de sinceridade, de altruísmo, assim faremos a maior revolução
que o mundo necessita: nos valores reais e definitivos
para a sua regeneração. É a tônica.
Sonia Maria Alvarenga Braga
Diretora Pedagógica de Meimei Escola
|
|
 |
|
|