Não importa que muitos se ofendam e que esperneiem os modernos fariseus: a família é e continuará sendo o principal agente que leva aos vícios. O mais danoso é o da alimentação: a criança é ensinada a usar o alimento como "fonte de prazer" os resultados demoraram - mas já se mostram largos e exuberantes: obesidade mórbida, diabetes, alergias etc.

Mas, o que nos interessa é falar a respeito do alcoolismo infanto-juvenil. Alcoólatra não é necessariamente o bebum. Hoje o número de crianças alcoólatras (criam necessidade da bebida para se socializarem, bebem escondido normalmente são filhos de pais que bebem quase toda noite para relaxar) é enorme, e o de crianças bebuns (os que dão vexame) também.

Como começa isso? Além do exemplo familiar e social (as pessoas ainda apenas conseguem se reunir para comer e beber), tudo começa com os adolescentes nas suas reuniões de aniversário ou comemorações, com as "famigeradas batidinhas": pinga, vodka, champanhe, vinho, mais frutas, leite condensado, gelo, etc. Daí, para a cerveja e destilados é um pulo. O álcool facilita a iniciação do cigarro e depois vem a maconha, a cocaína, e todos os outros entorpecentes... Ah! Mas o processo começa bem antes já com os bebês: com as "... - colas" com alto teor de cafeína e outros bichos, que são ofertados já nas mamadeiras!!.

Uma das desculpas esfarrapadas dos modernos fariseus: "melhor que eles bebam em casa do que na rua"! "Pelo menos aqui estão sob nossas vistas"! A cada dia mais cedo as crianças aprendem a "tomar decisões" que podem ser determinantes na qualidade de vida futura no embalo do álcool, e na vida sexual precoce, gravidez e aborto... Nas festinhas de aniversário das criancinhas não faltam cerveja, vinho e destilados para os adultos e para os jovens (de que idade?), será que isso não é aprendizado?

Será que o excesso de estímulos mentais e emocionais gerados pela TV, videogames, escolas que "adestram para a competição" e outros fatores sociais, não induzem a criança a buscar compensar a ansiedade mórbida gerada por isso, na bebida, no cigarro, até nas drogas? Essa é uma questão interessante, pois qualquer ser de outro planeta com um mínimo de condição intelectual deduz que esses vícios são tão mortais quanto absurdos.

Vamos pensar com carinho? Refletir sobre o papel da família e retomar o rumo para o bem de todos?

Dr. Américo Canhoto
Médico da Família desde 1978
Clinica em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, São Paulo