Brinquedo deve ser instrumento de prazer, veículo de troca, de diversão. Mas...

Há poucos dias, uma senhora, muito estressada, indagava de uma professora "onde teriam ido parar as cartas de seu filho, que custaram X reais!!!. Que pergunta absurda!!

Outra vez assisti uma cena em que a mãe, ao entregar sua filha na porta da escola fazia recomendações para que não deixasse ninguém estragar o brinquedo que, pois era só para mostrar aos colegas. Outra recomendação totalmente fora de propósito. Brinquedo é para brincar, e não para mostrar!

Vamos analisar os fatos e entender o que há por trás deles?

No primeiro caso há alguns aspectos a serem analisados;
> primeiro, se as cartas têm um valor tão alto, para que dá-las, sabendo que criança ainda não tem muita responsabilidade com seus pertences?
> Segundo aspecto: que diferença há entre dar cartas baratas (com que se joga da mesma forma) e querer dar cartas caras (será para que seu filho se sinta mais importante, mais feliz???)
> Terceiro: as cartas, depois que foram "dadas" não eram do filho? Então, porque se preocupar onde ou com quem ele as deixara. Caberia a ele resolver o assunto! E trabalhar a responsabilidade de "cuidar".
> Quarto aspecto: transferir a responsabilidade de encontrar as cartas para um adulto cuja função não é esta. Cabe ao filho buscar, procurar, lembrar com quem brincou, se emprestou, se esqueceu em algum lugar... A ele, apenas, cabe a tarefa de encontrar as cartas.

No caso da menina, o que nos preocupou foi o ensinamento subliminar que estava sendo dado: "seja egoísta, não empreste, porque outra criança estraga o que é seu." Então, para que trazer o brinquedo, e só mostrá-lo?

Para humilhar os que não o têm?
Para mostrar o seu poder em tê-lo?
Desenvolver um sentimento de que toda outra criança seja destruidora?

Nestes dois casos estamos observando um desvio dos objetivos educacionais do brinquedo em si. No primeiro, a transferência de responsabilidade que vai sendo ensinada através do péssimo exemplo dado pela mãe: exasperar-se com quem tem como tarefa acompanhar o desenvolvimento cognitivo da criança e não, jamais, ser sua babá ou cuidadora de seus brinquedos, que, aliás, neste caso, melhor seria que ficassem em casa.

No segundo exemplo, um sentimento terrível para a sociedade está sendo enaltecido. O egoísmo, que é a fonte dos atos mais negativos que a sociedade presencia.

Nos incidentes em pauta, usados para ilustrar o que vem acontecendo, diariamente, se percebe uma total insensibilidade para o verdadeiro e profundo significado de EDUCAR.

Voltemos às questões dos brinquedos. Brinquedo é para brincar e, gostoso é brincar com o outro, sem medo, sem constrangimento. O brincar só tem valor se espontâneo, se fruto de troca entre os participantes. Portanto, se querem dar brinquedos aos filhos, que os pais lembrem que devem ser dados como objeto para estimular a criatividade, para possibilitar o intercâmbio, para socializar, para compartilhar, para fazer feliz. Por isso, os melhores brinquedos devem ter seu valor em função do que possibilitem à criança de forma posItiva. Caso contrário, se for enfatizado o &qqot;valor comercial", haverá uma distorç&atalde;o de sua finalidade. ,br>
Brinquedos mais simples, mais baratos, até criados pela própria criança, geram mais felicidade do um que ela tem que "cuidar para não estragar" ou que se "esquecer é motivo de stress para a mãe". Educar é enaltecer o que o ser humano tenha de melhor, é transformar os aspectos negativos do caráter em posturas favoráveis ao bem conviver. Educar é preparar para a vida em sociedade, onde todos se respeitam, independentemente do que tenham. Pelo que são, como pessoas que agreguem valores a si mesmas e ao grupo social a que pertençam. Esta é a finalidade mais elevada da educação.

E o brinquedo pnde cer um instrumento educativo, vai depender de como ele é percebido pela criança, e principalmente, pela mensagem que o adulto esteja passando à criança.